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RESUMO DO ENCONTRO NACIONAL DA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO

 

Mudanças climáticas afetam mais pobres e empresários

A crise ambiental vivenciada no mundo atual prejudica toda a sociedade contemporânea, mas alguns públicos são mais afetados, alertou o economista e ambientalista Sérgio Bersseman durante palestra em painel sobre construção sustentável, inovações tecnológicas e desenvolvimento realizado na manhã desta sexta-feira, terceiro dia do 82º Encontro Nacional da Indústria da Construção (Enic). "Está na hora de cobrar do poder público e da sociedade que estudem os impactos de mudança climática para que as cidades, as construções e a infraestrutura possam se adaptar à realidade. Ele ressaltou que a primeira população a correr os riscos efetivos provocados pelas mudanças é a dos pobres e a segunda, a dos empresários.

Segundo o ambientalista Fábio Feldman, um dos palestrantes do evento, o grande desafio dos empresários é construir a agenda do século 21. "A construção civil, neste momento, no Brasil, pode ser o setor que vai criar o modelo a ser replicado para os outros setores e construir a sustentabilidade", declarou.

Os presidentes das comissões de Materiais (Comat) e de Meio Ambiente (CMA) da CBIC, Sarkis Kury e José Antônio Simon, apresentaram seus projetos estruturantes de inovação tecnológica e modernização do processo construtivo no Brasil. Kury informou que a CBIC está disponibilizado um espaço exclusivo em seu site para a inserção dos projetos do setor. Simon fez questão de ressaltar que a modernização das construções passa pela evolução das máquinas, equipamentos e ferramentas.

 

Obra sustentável exige planejamento

A sustentabilidade do empreendimento deve ser levada em consideração desde o planejamento até a execução da obra, na opinião de Marcus Vinicius Domenici, gestor do Segmento Construção Civil da Totvs, empresa de software e de suporte à gestão sustentabiliade. O executivo foi palestrante da reunião da Comissão de Materiais, Tecnologia, Qualidade e Produtividade (Comat) realizada na tarde desta sexta-feira, terceiro dia do 82º Encontro Nacional da Indústria da Construção (Enic).

Domenici afirmou que muitas empresas investem em materiais ecologicamente corretos, como equipamentos de aquecimento solar em empreendimentos, mas não usam a tecnologia para evitar perda de tempo e de recursos no processo de planejamento e de execução da obra. Segundo ele, a tecnologia pode ajudar no orçamento, na gestão das compras para que os produtos sejam entregues no momento certo, no acompanhamento do trabalho e da produtividade dos colaboradores na obra, nas vendas das unidades imobiliárias, entre outros benefícios.

Domenici acrescentou que a tecnologia também pode ajudar a facilitar o acesso a documentos dentro de uma empresa e, assim, reduzir o tempo de busca por informações. "É possível achar o documento rapidamente e na última versão. A idéia e estruturar todas as informações dentro da empresa", explicou.

 

Mirian Belchior garante mais rapidez na execução das obras do PAC

A assessora especial da Presidência da República, Mirian Belchior, prometeu maior agilidade às obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A secretária-executiva do programa participou de mesa redonda da Comissão de Obras Públicas (COP), no segundo dia do 82º Encontro Nacional da Indústria da Construção (Enic), em Maceió. De acordo com ela, o PAC 2 desempenhará um papel relevante para os futuros governos que é dar maior velocidade às obras a partir da otimização dos recursos e da simplificação dos procedimentos em relação ao PAC 1.

Mirian falou que nem o poder público e nem os empresários vão perder tempo e dinheiro para discutir fórmulas e caminhos viáveis para a execução dos projetos direcionados à cadeia da construção civil. A segunda versão do PAC, de acordo com ela, está nascendo fundamentada em quatro elementos essenciais: legado deixado pelo PAC 1, seleção de projetos nas áreas urbanas, esforço de gestão e desburocratização dos procedimentos.

Sobre o êxito do PAC 1, que até o momento alcançou 46% da execução das obras previstas, Mirian disse que o programa concentrou-se em quatro eixos de desenvolvimento abandonados por governos anteriores: ferrovia, indústria naval, habitação e saneamento. Para ilustrar o impacto do PAC 1 na sociedade e na economia regional, ela citou os recursos de R$ 400 milhões empregados em Alagoas no ano de 2009 apenas no setor da construção civil. Em 2002, a União tinha alocado para Alagoas somente R$ 220 milhões abrangendo todos os setores. "O que é uma quantia irrisória diante das necessidades".

E para não deixar dúvidas quanto ao sucesso do PAC1, a assessora da Presidência mostrou também uma planilha de execução orçamentária considerando os primeiros cinco meses de cada ano a partir de 2007 (período de início do programa), em que fica evidente o crescimento dos investimentos. Em 2007, foram executados R$ 1,5 bilhão. Em 2008, R$ 3 bilhões. Em 2009, R$ 3,8 bilhões e em 2010, R$ 6,8 bilhões. No período de quatro anos, os investimentos aumentaram 353%.

Burocracia

Apesar do avanço do PAC1, os empresários reclamaram do desencontro de informações entre os próprios técnicos do governo sobre os procedimentos dos custos das obras, entraves burocráticos no licenciamento ambiental que acabam emperrando a execução das obras e trazendo prejuízos financeiros para as empresas que aportam recursos na contratação de profissionais antes mesmo do início da obra.

O presidente de Comissão de Obras Públicas (COP/CBIC), Arlindo Moura, reivindicou menos burocracia e mais eficiência dos recursos emprestados para as obras do PAC 1. Arlindo reclamou também do uso equivocado do mesmo parâmetro de concretagem de uma pista de aeroporto para pavimentação de estradas na tabela de preços definida pelo governo.

Moura também reclamou da lentidão da Caixa Econômica Federal e da ausência de maior interação da instituição para com as construtoras. A burocracia da Caixa Econômica Federal, segundo ele, dificulta um melhor desempenho dos programas federais em parceria com os estados e a iniciativa privada. Os técnicos da Caixa demoram em dar um simples laudo técnico comprometendo toda a execução da obra no prazo determinado. "Isso afeta a população e, muitas vezes, compromete as finanças da construtora", declarou o secretário de Infraestrutura do estado de Alagoas, Marco Fireman.

O representante da Caixa Econômica Federal, José Carlos Medalha, reconheceu a existência de alguns problemas ocorridos internamente na instituição quanto à gestão e o ordenamento de projetos do PAC. No entanto, continuou, a demora às vezes é decorrente do próprio organograma do projeto que necessita estar de acordo com as diretrizes estabelecidos pela própria instituição financeira e, sobretudo, pelos órgãos de controle a exemplo do Tribunal de Contas da União (TCU). Porém, disse Medalha, a Caixa vem avançando e a CBIC tem ajudado bastante a acelerar os processos nos últimos anos.

Próximo Passo

Esse montante de obras e de recursos também deve ser transformado em oportunidades de geração de emprego e de mudanças de vida para os beneficiários do Bolsa Família, destacou a secretária-executiva do PAC. E o pontapé foi dado com o lançamento do "Próximo Passo"- programa do Governo Federal em parceria com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) que abre novas portas para as famílias mais humildes.

82º Encontro Nacional da Indústria da Construção

Comissão de Meio Ambiente apresenta programa de sustentabilidade

O Programa de Construção Sustentável da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) foi apresentado durante o segundo dia do Encontro Nacional da Indústria da Construção (Enic), realizado desde quarta-feira em Maceió. O tema foi o primeiro a ser tratado durante a reunião da Comissão de Meio Ambiente (CMA).

O presidente da comissão, José Antônio Simon, e a coordenadora técnica do programa, Lílian Sarrouf, apresentaram a composição do Conselho Estratégico e do Conselho Gestor, que possuem como função a elaboração de plano de ações voltadas para o meio ambiente.

De acordo com Lílian Sarrouf, o projeto surgiu a partir de estratégias adotadas no Reino Unido e do levantamento das ações desenvolvidas pela cadeia da construção, pela esfera governamental e por organizações não governamentais. “O projeto tem como objetivo envolver os stakeholders e players do setor da construção, como construtores, incorporadores e universidades. É importante desenvolver ações produtivas que envolvam governo, sociedade, clientes e ONG's."

Sarrouf apresentou ainda as prioridades do Programa de Construção Sustentável e as principais atividades a serem desenvolvidas para obter os resultados esperados. "Mudanças climáticas, Energia, Água, Materiais e Sistemas, Resíduos, Infraestrutura e Desenvolvimento Urbano, Meio Ambiente e Desenvolvimento Humano, são as prioridades no projeto, as quais visam sanar os problemas na indústria da construção a partir da redução de emissões de gases poluentes, buscando a eficiência energética e o uso racional da água, assim como a utilização de materiais e de sistemas sustentáveis. Temas que serão abordados durante as palestras da Comissão de Meio Ambiente ao longo desses dois dias de discussão no Enic", informou.

O trabalho da Comissão de Meio Ambiente iniciou em novembro de 2009 e consiste em três etapas: validação da metodologia, levantamento de fatores, oportunidades e estratégias, elaboração de textos para a CMA, e elaboração do plano de ação. Durante o 82º Enic estão sendo levantadas as dificuldades, a visão de futuro e as propostas para sanar as problemáticas relacionadas ao setor da construção e meio ambiente, as quais devem ser trabalhadas posteriormente ao evento junto à CBIC e a cadeia da construção.

 

CMA defende mudanças na concessão de licenciamento ambiental

A legislação ambiental e o licenciamento de empreendimentos foram temas da primeira palestra apresentada na Comissão de Meio Ambiente (CMA) durante o segundo dia do 82º Enic. Segundo o consultor ambientalista Cláudio Langone, ex-secretário executivo do Ministério do Meio Ambiente, o licenciamento ambiental feito no país deve ser feito de forma diferente da atual. "O licenciamento ambiental não abarca os impactos indiretos causados ao meio ambiente e estes são os impactos mais relevantes. Algumas áreas não têm solução com o licenciamento ambiental, como a silvicultura, o turismo na zona costeira e a cana-de-açúcar".

Para o palestrante da reunião da CMA, uma das principais dificuldades do setor ambiental atualmente é a existência de um licenciamento pouco propositivo, focado nos empreendimentos sem se preocupar com as características regionais. "É preciso trabalhar o planejamento junto com o licenciamento. Falta a mediação do Estado na relação entre empresas e comunidades. Não há uma articulação entre a instalação do empreendimento com uma agenda de zoneamento regional, avaliação integrada das bacias hidrográficas e a avaliação de viabilidade para a concessão de blocos exploratórios de petróleo. A legislação brasileira é avançada, porém a capacidade de intermediação é limitada."

A solução para sair do impasse é melhorar o desempenho, racionalizar os procedimentos, aumentar a informatização, criar procedimentos simplificados e realizar uma abordagem por bacias, setores e programas, assim como descentralizar a fiscalização.

Na opinião do presidente da Associação para o Desenvolvimento Imobiliário e Turístico do Brasil (ADIT Brasil), Felipe Cavalcante, é importante levantar a bandeira do planejamento e da segurança jurídica em licenciamento ambiental. "Há uma falta de estrutura nos órgãos ambientais. Esperam-se três a quatro anos para se conseguir uma licença e quando a obra é iniciada surge um órgão ambiental e embarga a construção. Tal fato não pode acontecer. A visão que não se pode ter é que a construção de empreendimentos é ruim para as comunidades locais. Não são todos os empreendimentos que trazem impactos ambientais. É preciso ressaltar a geração de emprego e renda que tais construções proporcionam", finalizou.

 

Desenvolvimento humano e sustentabilidade são debatidos em Comissão de Meio Ambiente

A relação entre o desenvolvimento humano e a sustentabilidade foi tema de debate da Comissão de Meio Ambiente durante o segundo dia do 82º Enic. Na opinião do palestrante Marcelo Abrantes, consultor em ética e responsabilidade social, a construção civil tem que atentar para as condições que bloqueiam a sustentabilidade humana. "O crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) não significa que as necessidades humanas estejam sendo atendidas. Um fator importante que está sendo falado é a questão da sustentabilidade no ambiente urbano. Os setores podem auxiliar nos processos de sustentabilidade, porém o trabalho principal é do indivíduo", completou.

De acordo com os tópicos abordados durante a palestra, os fatores que contribuem com o desenvolvimento urbano são as políticas setoriais, planos de ação que promovam uma maior capacitação e a realização de ações sinérgicas, além da discussão de práticas e implantação de projetos que estimulem a conscientização sustentável. Na visão de Abrantes, para obter uma real sustentabilidade, é necessário pensar em políticas específicas de desenvolvimento humano, além da promoção de programas de capacitação.

 

CMA ressalta propostas e metas para gestão de resíduos na construção

O elevado consumo de agregados foi apontado como o fator que vem acelerando a geração de resíduos durante reunião da CMA realizada na quinta-feira. Para Tarcísio de Paula, consultor em gestão de resíduos e palestrante da CMA, muitas técnicas do setor precisam ser reinventadas, mas a questão dos resíduos sempre será lembrada no tocante da sustentabilidade. "Uma série de obras e empreendimentos vêm mostrando um aumento significativo na preocupação com a gestão e reaproveitamento de resíduos, os quais deixaram de ser tratados como entulhos. Hoje, há uma forte capacidade de recuperação de resíduos. Mas, ainda é preciso saber até onde vai a responsabilidade do construtor e quando se inicia a do transportador e do receptor, ressaltou".

Para o palestrante, a solução é a gestão compromissada e compartilhada, principalmente no sentido de viabilizar o trato com os resíduos classificados perigosos. Ele ressaltou, ainda, as propostas e metas que poderiam ser traçadas para gerir a destinação de resíduos a quatro grupos: associados com sistema de qualidade, associados sem sistema de qualidade com menor porte, administração pública e fornecedores. Para tais, o cronograma de implantação de tarefas levaria de quatro a oito anos, com objetivos claros para recolhimento e reutilização de resíduos.

A palestra de Tarcísio de Paula finalizou com uma questão, a qual foi denominada pelos presentes como o futuro ponto de atuação da CBIC no que diz respeito aos resíduos: Quais capitais não possuem políticas de gestão de resíduos e em que localidades é preciso agir?

Para José Antônio Simon, presidente da CMA, onde não há vontade política é preciso que a vontade empresarial haja e faça acontecer. "A primeira tarefa do CMA é mapear, preparar um inventário das áreas em que o problema da gestão de resíduos ainda não está resolvido, acrescentou".

 

Sistema de Etiquetagens em edifícios pode ser a solução para obter eficiência energética

A aplicação do Sistema de Etiquetagens do Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro), já utilizado em aparelhos eletrônicos para o ramo de edificações, pode ser a solução para garantir eficiência energética. As construções prediais seriam definidas entre "A" (mais econômicas) e "E" (menos econômicas). A questão da eficiência energética foi pauta da palestra do especialista no assunto Roberto Lamberts, durante reunião da Comissão de Meio Ambiente no 82º Enic, na tarde de quinta-feira. De acordo com ele, a eficiência energética é responsável por uma redução nos custos operacionais e dos impactos ambientais, além de aumento na preservação de recursos naturais. "Os edifícios podem ser etiquetados em duas etapas: na etapa inicial da concepção dos projetos e no período de entrega dos empreendimentos, dando condições para o consumidor avaliar a eficiência energética do empreendimento que almeja adquirir", disse Lamberts.

Cinco edifícios utilizaram o processo de etiquetagem no Brasil em 2009 e há quarenta edifícios em avaliação. Há uma discussão para tornar a etiquetagem uma questão obrigatória a partir do momento que se mostre a eficiência do projeto. A proposta, segundo ele, é que até 2014 a etiquetagem de novos edifícios deveria ser obrigatória e os prédios públicos deveriam possuir classificação A ou B e, até 2018 todos os prédios do país deveriam ter a etiquetagem. Além disso, a partir de 2022 deveria ser permitido apenas a construção de prédios de consumo zero de energia, através de fontes renováveis.

Os principais desafios apontados pelos participantes da Comissão para obter um melhor desempenho são: o reduzido número de edifícios etiquetados, a existência de um mercado com carência por projetos mais eficientes e a necessidade da indústria da construção se atualizar e se capacitar. "Para uma real transformação da eficiência energética é necessária a realização de investimentos em pesquisas e desenvolvimento, além da capacitação dos consultores da cadeia da construção", finalizou Roberto Lamberts.

 

Informação e investimentos em sistemas sustentáveis são essenciais para sanar a utilização de materiais

"A construção tende para a desmaterialização e diminuição do uso de produtos", foi assim que o palestrante Vanderley Moacyr John, professor da Universidade de São Paulo (USP), iniciou a palestra sobre a utilização de materiais e sistemas sustentáveis, durante reunião da Comissão de Meio Ambiente no segundo dia da 82ª edição do Enic.

O avanço almejado no sistema de tratamento de materiais é possível, mas é preciso que haja, também, uma alteração na arquitetura e engenharia. Algumas mudanças nos sistemas estruturais já vêm ocorrendo na indústria da construção. Cada vez mais tecnologias e designs inovadores têm sido utilizados como substitutos de materiais e desenvolvimento de ações de sustentabilidade.

Segundo o especialista, não há como trabalhar com material sem gerar resíduos, mas o grande desafio da construção civil é a reciclagem e a prevenção. "É preciso solucionar questões como a reciclagem de resíduos da construção, a redução de perdas, problemas com projetos, gestão, coordenação modular e industrialização", afirmou Vanderley.

Neste sentido, é necessária a eliminação do uso de metais pesados no Brasil, além de solucionar alguns desafios institucionais, como a informalidade, a limitação de informações técnicas nos produtos, a inexistência de informações ambientais, a seleção ambiental baseada em mitos, o baixo nível de experiência em inovação e a falta de incentivo para a atualização de profissionais.

As principais propostas apresentadas por Vanderley para solucionar os desafios relacionados à utilização de materiais e sistemas sustentáveis durante a palestra foram: a necessidade de um catálogo com informações técnicas, a gestão de impactos sócioambientais, além de investimentos em inovação tecnológica e em redes de pesquisa.

 

82º Enic discute o uso racional da água

Que o Brasil é o país com a maior reserva de água do planeta, não há dúvidas, e o que a nação tem feito na gestão desse bem natural é uma das principais preocupações da cadeia da construção civil. O uso racional da água foi um dos assuntos debatidos pela Comissão do Meio Ambiente (CMA) da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) durante reunião no segundo dia do evento.

O diretor da ONG Água e Cidade, Wilson Passeto, foi o palestrante responsável por contextualizar o sistema de águas e sua utilização no país, assim como as ações que têm sido desenvolvidas e os planejamentos futuros para a utilização e preservação de suas reservas. Para Passeto, a questão da água está diretamente relacionada com o setor da construção civil e com o comportamento humano. "O maior problema da água é o desperdício. Para solucionar, são necessários bons projetos de engenharia voltados para o saneamento básico, além do investimento em tecnologia, melhoria na gestão de utilização da água e educação ambiental", enfatizou.

De acordo com Passeto, o maior problema a ser solucionado é a ocupação das bacias hidrográficas nas áreas urbanas de forma desordenada, sem que haja um mapeamento dessas áreas. "A problemática da água envolve diretamente as pessoas e exige delas uma mudança de comportamento, através do uso racional de suas reservas e um trabalho educativo. Uma construção sustentável só é possível se a sociedade possuir uma cabeça sustentável", afirmou.

 
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