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PAÍS CRIOU 298 MIL VAGAS COM CARTEIRA EM MAIO

O Globo/RJ

22 de junho de 2010

 

 

Resultado é o melhor para o mês da série histórica, iniciada em 1992. No ano, saldo é de 1,26 milhão de empregos

Geralda Doca

 

 

BRASÍLIA. O emprego com carteira assinada continua crescendo no país, que registrou em maio a criação de 298.041 postos, no melhor resultado para o mês de toda a série iniciada pelo Ministério do Trabalho em 1992 e no quinto recorde consecutivo. No acumulado do ano, o saldo (contratações menos demissões) atingiu 1,26 milhão de vagas, também um número inédito.

 

 

Com a Copa, as eleições esquentando e o início da colheita no Centro-Oeste, junho deverá também surpreender, segundo o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, e bater a casa das 320 mil vagas, superando as 309 mil de 2008.

 

 

- Nós vamos ter mais um recorde no mês que vem - afirmou o ministro.

O emprego formal no mês passado foi puxado pelo setor de serviços, que respondeu por 86.104 novos postos.

 

 

Em seguida, vêm agropecuária (62.247), indústria da transformação (62.220), comércio (43.465) e construção civil (39.082).

 

 

O Rio ficou em terceiro lugar no ranking dos estados que mais contrataram, com saldo de 22.250, depois de Minas Gerais e de São Paulo. O estado obteve em maio o terceiro melhor saldo mensal de toda a série do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), influenciado pelas contratações da Petrobras, dos setores siderúrgicos e de serviços (hotelaria), segundo análise da pasta.

 

 

Meta do governo no ano é de 2,5 milhões de empregos Copa e as eleições, de acordo com Lupi, impulsionam a economia e geram um efeito cascata muito forte na geração de empregos, tanto de temporários quantos de formais.

 

 

O ministro reiterou a meta de geração de 2,5 milhões de empregos em 2010, alegando que não haverá diminuição do ritmo das contrações no segundo semestre.

 

 

Mas adiantou que o crescimento deverá ser inferior ao verificado em 2009, na comparação com o ano anterior, pois não haverá a base fraca provocada pela crise financeira internacional, que provocou uma onda de demissões no último trimestre de 2008.

 

 

Lupi lembrou que, em função disso, o mercado formal de trabalho brasileiro começou 2009 no negativo, com as demissões superando as contratações.

 

 

A recuperação mais forte foi registrada somente a partir de agosto, com a abertura de 242 mil vagas.

 

 

Em resposta ao temor do Banco Central (BC) de que o ritmo da atividade econômica - muito influenciado pelos ganhos de renda - gere inflação, o ministro argumentou que o parque industrial brasileiro só agora retomou os mesmos patamares de 2007 e que ainda há espaço para aumentar a produção. Frisou, no entanto, que "o Brasil não é só indústria", e que é preciso considerar a existência de outros setores como serviços, comércio e construção civil.

 

 

- Não há bolha de crescimento. O Brasil cresce em todas as regiões, em todos os estados e em todos os setores, de uma forma harmônica - afirmou Lupi.

 

 

Para o ministro do Trabalho, 0,25 ponto percentual de inflação para cima ou para baixo não tem importância: - Estamos discutindo se a inflação vai ficar em 5% ou 5,5%. Não vejo risco.

 

 

O comportamento favorável do setor de serviços em maio foi impulsionado pelas contratações no segmento de comércio e administração de imóveis (32.011), seguido por transporte e comunicações; serviços médicos e odontológicos; e ensino.

 

 

Na agricultura, os destaques foram o cultivo de café em Minas Gerais e de cana-de-açúcar em São Paulo e no Rio.

 

 

Segundo o Caged, as áreas metropolitanas responderam por 100.071 empregos no mês passado, com destaque para São Paulo, Rio e Belo Horizonte.

 
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